Setembro pode definir quanto sua empresa vai pagar de imposto pelos próximos anos

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Setembro pode definir quanto sua empresa vai pagar de imposto pelos próximos anos

Se você acredita que setembro é apenas mais um mês do calendário fiscal, vale a pena olhar com atenção para o que está acontecendo com a Reforma Tributária.

Para milhares de empresas optantes pelo Simples Nacional, setembro deixa de ser um período comum e passa a representar uma decisão estratégica. A escolha feita nesse mês pode influenciar a carga tributária da empresa, sua competitividade no mercado e até a forma como seus clientes enxergam o seu negócio nos próximos anos.

A boa notícia é que essa decisão não precisa ser tomada no escuro. A má notícia é que deixar para pensar nisso depois pode custar caro.

O que muda com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária trouxe uma nova dinâmica para as empresas do Simples Nacional.

Até então, a lógica era relativamente simples: os tributos eram recolhidos por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), concentrando diversos impostos em uma única guia.

Com a chegada da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), surge uma nova possibilidade: permanecer no modelo tradicional ou optar pelo chamado modelo híbrido, em que CBS e IBS passam a ser recolhidos separadamente do DAS, enquanto os demais tributos continuam sendo pagos normalmente pelo Simples Nacional.

Essa mudança parece apenas operacional, mas, na prática, pode alterar significativamente o impacto tributário de uma empresa.

Setembro será o mês da decisão

A Resolução CGSN nº 186/2026 definiu uma janela específica para essa escolha.

Entre 1º e 30 de setembro de 2026, as empresas do Simples Nacional poderão decidir como irão recolher IBS e CBS a partir de 2027. Quem não fizer nenhuma opção permanecerá automaticamente no modelo tradicional, com os novos tributos incluídos no DAS.

Pode parecer uma decisão simples.

Mas ela está longe disso.

Não existe uma resposta que sirva para todas as empresas

Uma das maiores mudanças trazidas pela Reforma Tributária é justamente o fim das respostas prontas.

Antes, muitas decisões eram tomadas observando apenas a alíquota efetiva.

Agora, será necessário analisar diversos fatores da operação da empresa, como:

  • quem são seus clientes;
  • quem são seus fornecedores;
  • se a maior parte das vendas é para consumidores finais ou para outras empresas;
  • o potencial de aproveitamento de créditos tributários;
  • a estrutura de custos e margens do negócio.

Em alguns casos, permanecer integralmente no DAS continuará sendo a melhor alternativa.

Em outros, o modelo híbrido poderá gerar maior competitividade, principalmente para empresas que vendem para outras pessoas jurídicas e cujos clientes valorizam o aproveitamento dos créditos de IBS e CBS.

Por isso, a decisão deixa de ser apenas tributária e passa a fazer parte da estratégia comercial da empresa.

O modelo híbrido é melhor?

Essa é provavelmente a pergunta que mais será feita aos contadores nos próximos meses.

E a resposta correta é: depende.

O modelo híbrido não foi criado para substituir o Simples Nacional.

Ele foi criado para atender perfis específicos de empresas.

Uma indústria que vende para outras empresas, por exemplo, pode encontrar vantagens em permitir que seus clientes aproveitem créditos dos novos tributos.

Já uma empresa cujo público é formado quase exclusivamente por consumidores finais talvez não tenha os mesmos benefícios.

Também entram nessa análise fatores como fluxo de caixa, sistemas de gestão, emissão de documentos fiscais e capacidade operacional para cumprir as novas exigências.

Ou seja, não existe um vencedor universal entre DAS e modelo híbrido.

Existe a alternativa mais adequada para cada realidade empresarial.

O contador será o primeiro profissional procurado

Toda mudança tributária gera dúvidas.

Mas, desta vez, a expectativa é que os escritórios de contabilidade sejam o primeiro ponto de contato dos empresários.

Isso porque a decisão não pode ser tomada apenas com base na legislação.

Ela exige simulações, projeções financeiras, análise de operações e entendimento do impacto que a escolha terá ao longo dos próximos anos.

Em outras palavras, o contador deixa de exercer apenas um papel operacional e passa a atuar como consultor estratégico.

Será esse profissional quem ajudará a responder perguntas como:

  • Vale a pena continuar no DAS?
  • Minha empresa perde competitividade se permanecer no modelo tradicional?
  • O modelo híbrido melhora ou piora meu fluxo de caixa?
  • Meus clientes valorizam os créditos tributários?
  • Como essa decisão afeta meu planejamento para 2027?

São respostas que dificilmente podem ser obtidas olhando apenas para uma tabela de impostos.

O pior cenário é decidir sem planejamento

O maior risco não é escolher o DAS.

Também não é optar pelo modelo híbrido.

O verdadeiro risco é tomar essa decisão sem dados.

Empresas diferentes possuem estruturas diferentes, margens diferentes e mercados completamente distintos.

Uma escolha que reduz impostos para um negócio pode aumentar custos para outro.

Por isso, setembro não deve ser encarado apenas como mais um prazo do calendário fiscal.

É um período para revisar processos, analisar indicadores, entender o perfil dos clientes e avaliar cenários antes de formalizar qualquer opção.

Quanto mais cedo essa análise começar, maior será a qualidade da decisão.

Planejamento tributário deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade

A Reforma Tributária inaugura uma nova fase para as empresas brasileiras.

As decisões tributárias passam a conversar diretamente com estratégia comercial, precificação, relacionamento com clientes e competitividade.

Quem tratar setembro apenas como um prazo burocrático poderá perder oportunidades importantes.

Quem aproveitar esse momento para analisar sua operação de forma estratégica terá muito mais segurança para escolher o caminho que faz sentido para seu negócio.

A escolha entre permanecer no DAS ou adotar o modelo híbrido não deve ser baseada em achismos nem em soluções prontas. Ela deve refletir a realidade da empresa e seus objetivos para os próximos anos.

Se você quer entender qual cenário faz mais sentido para o seu negócio, acesse nossa aba de Contatos e converse com um de nossos especialistas. Será uma oportunidade para avaliar sua operação, esclarecer dúvidas sobre a Reforma Tributária e identificar a estratégia fiscal mais adequada para a realidade da sua empresa.

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